espaço sem escrita

há algumas semanas não escrevo sobre meus sentimentos por F, nem sobre meus planos de estudo, nem tenho tido vontade de mexer em trabalho. é como se todos os caminhos estivessem em pausa, o acesso pra dentro embarricado, não sei se por medo ou por preguiça de mexer num redemoinho que não parece muito suscetível de se desenrolar em uma linha estreita pra fora do labirinto.

ontem meu amigo me disse: os maiores obstáculos da N são seus medos e, quer saber?, é uma ótima percepção, são os medos mesmo, como quando aquele professor disse: quando olho pra você não consigo entender se vejo um grande sucesso ou um grande fracasso. tenho me olhado assim desde então, um pêndulo entre o tudo que é desejar e consentir e o nada que é negar e abandonar.

e agora temos o tarô. tenho falado com o tarô. estranho que parece sim haver uma constância de tiragens, especialmente quando faço as mesmas perguntas (talvez seja apenas meu desejo de ver rostos nas nuvens?, ou minha pouca habilidade de embaralhar as cartas, mas são dias de distância, outras perguntas no meio...) enfim, o baralho me desmonta com esse discurso de: vai depender, vai depender, rodas da fortuna, temperanças, o louco enquanto juiz, uma leveza toda da existência que me deixa tonta e me faz questionar se sou mesmo uma alma que não gosta de amarras (acho que imploro por amarras, queria gozar nas amarras) e como me disse há alguns dias me disse de novo hoje, tirado na colcha da cama — sobre o meu amor, o meu desejo, a minha ferida aberta que troca de nome e de dedicatória e carrega uma longa lista de desamores, impotências, planos sabotados, relações que deixaram de ser porque quis matar todo aquele que chegou muito perto do centro — me disse que um futuro de novidades me esperava a depender da minha capacidade de constância, de julgamento, de caminhar para o novo...

mas não estamos todos sob esse crivo? mudar para ver mudança? construir enquanto rola a pedra, cantar pro futuro enquanto gira a roda do presente, se esgueira pela engrenagem, se torna parte mas também se diferencia pela capacidade de projetar. eu e minha incapacidade de me diferenciar faz que eu me sinta como aquele infiel escudeiro do cavaleiro inexistente, que inclusive é infiel porque não sabe quem é e assim não pode assumir responsabilidades 

mas talvez meu pêndulo não bata no compasso, misture diversos gêneros de música, tente sempre agradar o que vem de fora e descobre ser impossível lidar com todas as demandas de estar sob influência.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

dor revelada

sonho 07/07/24